sábado, 15 de maio de 2010

Lacônica

Meu amor é visceral.
Não sei de amor metade.
Não sei o que sejam migalhas.
Eu, quando amo,
É total, corpo-alma-espírito.
É vida, é luz, é saí de si,
é o não chegar, é o estar e sempre.
É cumplicidade, lealdade,
é não estar em contramão.

Amo com paixão,
com loucura,
in.con.di.ci.o.nal.
Sem meras explicações,
eu me apodero.
Eu quero, eu estou, eu sou e eu vivo.
O que seria da vida se cada
um só amasse seu umbigo?
No mínimo, muitos com problemas na coluna.
Viver vai além de material, quem só pensa nisso,
acaba amargo, só e em relações superficiais.
Quem vive com amor, vive mais,
vale a pena estar e acreditar em dias melhores.
Tudo que se soma se torna mais forte.
O amor é mais que dois,
mas não existe quando só tem um.


Jecely Teixeira

segunda-feira, 12 de abril de 2010

"Pequeno Tratado sobre a Mortalidade do Amor"

Todos os dias morre um amor. Quase nunca percebemos, mas todos os dias morre um amor. Às vezes de forma lenta e gradativa, quase indolor, após anos e anos de rotina. Às vezes melodramaticamente, como nas piores novelas mexicanas, com direito a bate-bocas vexaminosos, capazes de acordar o mais surdo dos vizinhos. Morre em uma cama de motel ou em frente à televisão de domingo. Morre sem beijo antes de dormir, sem mãos dadas, sem olhares compreensivos, com gosto de lágrima nos lábios. Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados, cartas cada vez mais concisas, beijos que esfriam aos poucos. Morre da mais completa e letal inanição.

Todos os dias morre um amor. Às vezes com uma explosão, quase sempre com um suspiro. Todos os dias morre um amor, embora nós, românticos mais na teoria do que na prática, relutemos em admitir. Porque nada é mais dolorido do que a constatação de um fracasso. De saber que, mais uma vez, um amor morreu. Porque, por mais que não queiramos aprender, a vida sempre nos ensina alguma coisa. E esta é a lição: amores morrem.

Todos os dias um amor é assassinado. Com a adaga do tédio, a cicuta da indiferença, a forca do escárnio, a metralhadora da traição. A sacola de presentes devolvidos, os ponteiros tiquetaqueando no relógio, o silêncio ensurdecedor depois de uma discussão: todo crime deixa evidências.

Todos nós fomos assassinos um dia. Há aqueles que, feito Lee Harvey Oswald, se refugiam em salas de cinema vazias. Ou preferem se esconder debaixo da cama, ao lado do bicho-papão. Outros confessam sua culpa em altos brados, fazendo de penico os ouvidos de infelizes garçons. Há aqueles que negam, veementemente, participação no crime, e buscam por novas vítimas em salas de chat ou pistas de danceteria, sem dor ou remorso. Os mais periculosos aproveitam sua experiência de criminosos para escrever livros de auto-ajuda com nomes paradoxais como O Amor Inteligente ou romances açucarados de banca de jornal, do tipo A Paixão Tem Olhos Azuis, difundindo ao mundo ilusões fatais aos corações sem cicatrizes.

Existem os amores que clamam por um tiro de misericórdia: corcéis feridos.

Existem os amores-zumbis, aqueles que se recusam a admitir que morreram. São capazes de perdurar anos, mortos-vivos sobre a Terra teimando em resistir à base de camas separadas, beijos burocráticos, sexo sem tesão. Estes não querem ser sacrificados, e, à semelhança dos zumbis hollywoodianos, também se alimentam de cérebros humanos, definhando paulatinamente até se tornarem laranjas chupadas.

Existem os amores-vegetais, aqueles que vivem em permanente estado de letargia, comuns principalmente entre os amantes platônicos que recordarão até o fim de seus dias o sorriso daquela ruivinha da 4ª série, ou entre fãs que ainda suspiram em frente a um pôster do Elvis Presley (e, pior, da fase havaiana). Mas titubeio em dizer que isso possa ser classificado como amor (bah, isso não é amor; amor vivido só do pescoço pra cima não é amor).

Existem, por fim, os amores-fênix. Aqueles que, apesar da luta diária pela sobrevivência, das contas a pagar, da paixão que escasseia com o decorrer dos anos, da TV ligada na mesa-redonda ao final do domingo, das calcinhas penduradas no chuveiro e das brigas que não levam a nada, ressuscitam das cinzas a cada fim de dia e perduram - teimosos, e belos, e cegos, e intensos. Mas estes são raríssimos, e há quem duvide de sua existência. Alguns os chamam de amores-unicórnio, porque são de uma beleza tão pura e rara que jamais poderiam ter existido, a não ser como lendas. Mas não quero acreditar nisso.

Um dia vou colocar um anúncio, bem espalhafatoso, no jornal.

PROCURA-SE: AMOR-FÊNIX(oferece-se generosa recompensa)
Autor: Alexandre Inagaki

quarta-feira, 7 de abril de 2010

coerência mental

Pensando em situações que a própria mente da gente cria,
a fantasia rompe sua barreira e por um súbito momento se torna realidade...
a nossa mente, também mente...
...Mas, na sua essência nos tira verdades que não queríamos enxergar.


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

e a solidão, antiga amiga, volta a me procurar,

sentiu saudades não soube esperar,

eu que ando meio em entrelinhas,

horas aqui e acolá.

A fuga é uma das piores ilusões.

soneto da meia noite


E a solidão, antiga amiga, volta a me procurar,
sentiu saudades não soube esperar.
Eu que ando meio em entrelinhas, horas aqui e acolá,
também cedo aos encantos dela, pois é a mais doce e sincera companhia.

Ela sempre me rodeia e diz que não estou só!

Ela é tão leal que me convence que toda outra companhia que se faz presente, é egoísta,
e que no momento crucial que você mais precisa estar sendo amparado, só ouve-se o barulho dos saltos da vaidade cada vez mais longe...Não adianta implorar migalhas de atenção ou comprar um bom filé mignon,tudo se gasta, e vai. e não volta.


Como sinto saudades do tempo em que meu coração era alegrado com um bom vinho! Hoje ele não suporta mais. Nem vinhos, nem excessos, não tristezas, não migalhas...hoje ele precisa de paz, de ficar quietinho ali se bastando para ainda viver um pouco mais mesmo com os doces pesares da falta de gratidão.

O amor, pegou o navio da ilusão, preferiu não cuidar do meu coração,trocou-me literalmente por uma léria fadada em mesa de bar.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

ALMAS GÊMEAS



 (http://riscos.blogs.sapo.pt/arquivo/gemini2.jpg)


Eu sei tanto sobre você
que não consigo controlar
o que vem em minha cabeça.
Eu lhe conheço e muito bem.
Sei o que gosta.
Sei o que quer.
Tudo sei, e o que eu faço?
Tenho lembranças passadas,
de um passado vivo
e hoje tocar-lhe seria
no mínimo fazer meu coração
bater acelerado.
Só em olhar para você,
tudo está escrito em mim.
O meu corpo e meus olhos falam.
Nossas almas quando se reencontrarem,
nos levarão ao nirvana,
E você sabe bem disso...
...eu lhe espero...
Sei seus gostos e caprichos.
Sei o seu domínio e sua loucura.
Conheço-lhe da cabeça aos pés.
E até o contrário disto.
Sei a sua sede, sua fome
e onde quer que você vá,
onde quer que esteja,
cada átomo que respirar,
será um pouco de mim.
Eu sei onde lhe encontrar
Pois, faço parte de seu ser.

(L.T)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Doce anjo


Ah, meu anjo, doce anjo!
Nos seus olhos estão o céu.
No seu corpo o inferno.
Ah, doce inferno e lindo céu!

Seus lábios saciam minha sede.
Suas carícias são como
Sussurros em minha alma.
Em seus cabelos eu me perco.
No seu corpo me aqueço e afago.

O meu amor por ti é enlouquecedor.
Em sonhos te amo com ardor.
Eu sinto o seu corpo quente.
Dormindo junto ao meu.
Em sono inocente.