Ser
filha de Iansã foge do estereótipo que escrevem sobre ELA. Tenho
uma tempestade interna, externalizo quando estou brava, no dia a dia,
sou brisa, observo - mas se preciso for, impulsiono a força dos
ventos e iço as velas. Não me acomodo com nada, não gosto dessa
palavra, sou movimento, sou inquietação, falo menos que antes,
procuro mais ação. Percebi que na fala nos perdemos, nos
acorrentamos e gastamos muita energia - Eu gosto da batalha, da luta
e de vencer, obviamente. E quando venço, lembro de todo percurso
caminhado e não esqueço minhas raízes. Ser filha de Iansã, me
obriga a me lapidar todos os dias de forma sensata, serena - porque
dentro de mim é um turbilhão: de pensamentos, sentimentos e emoções
tão intensas que foi e é muito difícil aprender a não me deixar levar
por elas.
Sou
intensa, sou tagarela quando gosto, sou direta - falo sem florir e
não me pergunte nada se não tem certeza que vai aguentar a
sinceridade. Sorridente para quem desejo sorrir, sou abraço
verdadeiro e peço também. Enquanto amor, ainda me desconheço, mas,
estou inteira. Sou grossa mesmo - sem paciência pra "mimimi".
Não crio expectativa mais com nada, nem com ninguém. Quando a
pessoa não soma, eu subtraio porque não há quem fique com alguém
sem positividade. Queixas, dores e passado triste todo mundo tem, mas
o hoje é o dia mais importante e se não cuido dele, não há futuro
- só repetições.
Sou
amiga para o que der e vier, mas o contrário disso, sou o silêncio,
pois, meu maior inimigo só é um: eu. Então, sigo meu caminho,
porque o mundo não vai parar para consertar minhas dores, então,
coloco-as no papel, dobro e levo no bolso. As dores também são
lições, alicerces para dias melhores eu possa trazer na
lembrança, tudo que passei até chegar aonde estou e não gosto do
papel de vítima, ele é muito cômodo e repetitivo, muito lento para
uma pessoa que não tem tempo a perder. Eu sou autora das meus erros
e acertos e tenho consciência disso. Interesso-me pelo que pode
somar, pelo positivo, pelo bem estar. Afasto-me de energias
contrárias às minhas, prefiro me isolar a ter um Judas em meus
caminhos. Sou séria, mas se eu te der um sorriso, ele
vem da alma, nunca gasto meu tempo e minha energia com quem não
merece. Gosto de ajudar as pessoas, principalmente aquelas que estão
presas em Malkut, pois já estive lá e paguei caro por isso. Porém,
quando vejo que não querem sair, eu as deixo e sigo meu caminho.
Falo
com muitas pessoas, saio com algumas mas, amo estar sozinha, escolho
ter poucos amigos, pois assim, posso observá-los e aprender com eles
virtudes que admiro em um ser humano. Hoje tenho os melhores, pois o
tempo foi deixando claro quem é quem. Ganhei uma nova família,
ganhei padrinhos e novos irmãos.
Enfrento
várias batalhas todos os dias, tentando deixar a vida do outro cada
dia melhor, mas primeiro a minha tem que estar bem. Então, torno-me
paciente e com dedicação. Sou questionadora, testadora,
observadora, valente, tenho muitos medos também, mas te digo: maior
que todos ELES é minha fé. Sou guerreira.
"Sou
brisa ou sou raios...Às vezes só um relampejar,
Sou
mansidão, sou o atropelo, hoje uma brisa a acompanhar."
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Iansã na Coroa, não significa que tenho que ser igual ao que
diz o senso comum, tenho a essência dela dentro de mim e suas
virtudes - Fora a minha própria personalidade, afinal , o que
seria do ser nós humano - se fôssemos todos iguais? Nem aos pais biológicos somos
fielmente parecidos. Creio que as minhas atitudes do que se propõe o
trabalho da Umbanda sejam as maiores semelhanças.
Axé!
