terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Ser filha de Oyá




Ser filha de Iansã foge do estereótipo que escrevem sobre ELA. Tenho uma tempestade interna, externalizo quando estou brava, no dia a dia, sou brisa, observo - mas se preciso for, impulsiono a força dos ventos e iço as velas. Não me acomodo com nada, não gosto dessa palavra, sou movimento, sou inquietação, falo menos que antes, procuro mais ação. Percebi que na fala nos perdemos, nos acorrentamos e gastamos muita energia - Eu gosto da batalha, da luta e de vencer, obviamente. E quando venço, lembro de todo percurso caminhado e não esqueço minhas raízes. Ser filha de Iansã, me obriga a me lapidar todos os dias de forma sensata, serena - porque dentro de mim é um turbilhão: de pensamentos, sentimentos e emoções tão intensas que foi e é muito difícil aprender a não me deixar levar por elas.


Sou intensa, sou tagarela quando gosto, sou direta - falo sem florir e não me pergunte nada se não tem certeza que vai aguentar a sinceridade. Sorridente para quem desejo sorrir, sou abraço verdadeiro e peço também. Enquanto amor, ainda me desconheço, mas, estou inteira. Sou grossa mesmo - sem paciência pra "mimimi". Não crio expectativa mais com nada, nem com ninguém. Quando a pessoa não soma, eu subtraio porque não há quem fique com alguém sem positividade. Queixas, dores e passado triste todo mundo tem, mas o hoje é o dia mais importante e se não cuido dele, não há futuro - só repetições.


Sou amiga para o que der e vier, mas o contrário disso, sou o silêncio, pois, meu maior inimigo só é um: eu. Então, sigo meu caminho, porque o mundo não vai parar para consertar minhas dores, então, coloco-as no papel, dobro e levo no bolso. As dores também são lições,  alicerces para dias melhores eu possa trazer na lembrança, tudo que passei até chegar aonde estou e não gosto do papel de vítima, ele é muito cômodo e repetitivo, muito lento para uma pessoa que não tem tempo a perder. Eu sou autora das meus erros e acertos e tenho consciência disso. Interesso-me pelo que pode somar, pelo positivo, pelo bem estar. Afasto-me de energias contrárias às minhas, prefiro me isolar a ter um Judas em meus caminhos.  Sou séria, mas se eu te der um sorriso, ele vem da alma, nunca gasto meu tempo e minha energia com quem não merece. Gosto de ajudar as pessoas, principalmente aquelas que estão presas em Malkut, pois já estive lá e paguei caro por isso. Porém, quando vejo que não querem sair, eu as deixo e sigo meu caminho.


Falo com muitas pessoas, saio com algumas mas, amo estar sozinha, escolho ter poucos amigos, pois assim, posso observá-los e aprender com eles virtudes que admiro em um ser humano. Hoje tenho os melhores, pois o tempo foi deixando claro quem é quem. Ganhei uma nova família, ganhei padrinhos e novos irmãos. 


Enfrento várias batalhas todos os dias, tentando deixar a vida do outro cada dia melhor, mas primeiro a minha tem que estar bem. Então, torno-me paciente e com dedicação. Sou questionadora, testadora, observadora, valente, tenho muitos medos também, mas te digo: maior que todos ELES é minha fé. Sou guerreira.

"Sou brisa ou sou raios...Às vezes só um relampejar,
Sou mansidão, sou o atropelo, hoje uma brisa a acompanhar."

Carregar Iansã na Coroa, não significa que tenho que ser igual ao  que diz o senso comum, tenho a essência dela dentro de mim e suas virtudes - Fora a minha própria personalidade, afinal , o que seria do ser nós humano - se fôssemos todos iguais? Nem aos pais biológicos somos fielmente parecidos. Creio que as minhas atitudes do que se propõe o trabalho da Umbanda sejam as maiores semelhanças. 

Axé!


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